
Estou nas ruas de uma cidade que não conheço. Olho para todos os lado com aquela curiosisade típica dos viajantes e vejo as árvores, as ruas, as pessoas... tudo tão diferente! Alguns militares armados cirlculam na rua, e existe um quê de pós-guerra na arquitetura, mas isso não me deixa menos fascinada. Atravessando a rua vejo os muros meio descascados com pinturas fantásticas e bem críticas, bem como os desenhos de Marjane Satrapi (autora de persépolis). Por conta dessas pinturas chuto que estou em Tehran, já que essa artista é iraniana, embora antes achasse que era Bagdad.
No caminho me deparo com alguns policiais que perguntam para onde estava indo, porque andava sozinha e coisas do gênero. Tento me comunicar em inglês, mas claro, eles não falavam e nem gostavam de ingles, então tento um portunhol que supreendentemente funciona super bem! Enfim, expliquei que precisava comprar sabonete e pão e que procurava o lugar onde poderia encontrar esses produtos. Eles me indicaram o caminho e foram embora. Segui para onde apontaram e encontrei uma tenda que se destacava de todo o resto que eu havia visto, afinal, a cidade era toda meio amarela e aquele lugar era verde escuro com detalhes vermelhos. O moço que me atende já é bem velhinho e muito simpático; chegou com um baita sorrisão e me contou várias histórias de sua vida. Ele costumava vender artigos proibidos no país e ajudar jovens revolucionários, inclusive ficamos super tensos quando uns policiais apareceram fazendo perguntas. Nossa, o que ele tinha escondido seria suficiente para matarem toda sua familia! bom, eles foram embora sem nenhum problema, ele escondeu algumas coisas pra mim no pão (como um creme pra pele e outras coisas) e me vendeu também o sabonete que precisava. Saio novamente andando pela cidade e acabo me perdendo. Por um segundo tenho medo, mas resolvo não me importar. Ando um bocado, até ultrapassar alguns prédios e chegar num lugar onde posso ver o mar. O lugar é lindo, mas o que me chama mais a atenção é um grupo de jovens meio punks, dentre os quais haviam alguns casais gays, que se encontravam dentro d'água até a cintura, debaixo de um teto de concreto sobre colunas grossas e baixas (parecendo uma parada de ônibus grande). Fico impressionada de encontrar um grupo assim naquele país, e os admiro pela coragem e por não perderem sua identidade mesmo vivendo num lugar onde isso é considerado crime. Meu olhar acaba se fixando num casal de meninas abraçadas que se beijam quase tranquilamente. A de cabelo rosa, então, olha pra mim como quem diz "tá olhando o quê?", e me viro para olhar para outras coisas. Nesse momento eu penso na minha namorada. Sinto saudades, desejo que ela estivesse ali... aí eu olho para céu e sorrio pensando nela.Continuo andando, curtindo o ar da cidade, e descubro que vai acontecer um show onde havia chegado. Sento-me na arquibancada e tenho uma pequena conversa comigo, só não me lembro sobre o que... bom, acabo me distraíndo com um grupo de mariachis que passa por ali. A música deles é boa, então desisto do show e os sigo, sem que me vejam, pelas pedras que encontram o mar. Passo por trás de um grande prédio, perto da água, e danço um pouco sozinha ali. O lugar é lindo! Muito arborizado, com o céu de fim de tarde maravilhosamente colorido e, ao que parece, a água cobrindo um pouco da cidade. Continuo indo atrás dos músicos, pelas pedras, e atravesso uma porta que leva a um jardim estranho, meio descuidado, com muito mato, muros em volta, mas a céu aberto. Não lembro o que pensava lá, mas sei que de repente uma senhora bem pirua chegou lá meio afobada e pouco tempo depois surge um homem vestido de fraque e cartola. Não lembro direito o que aconteceu nessa hora, que ela falou comigo e que havia algo sobre um anel... mas não sei bem o quê.
Acordo...
* Desenho da série Persépolis da artista Marjane Satrapi
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