Não me lembro o que desencadeou o processo, mas numa noite as coisas ficaram dramáticas. O fim de tudo estava implícito e a cidade, grande como Nova Iorque, estava em caos. Eu corria num mini-carro, procurando quem importava pra mim.
depois me vi em um prédio abandonado com alguns entes queridos. Lá fora os prédios desabavam a medida que colunas cilíndricas com espirais em preto e branco, quase como aqueles doces natalinos estadounidenses, se encontravam com outras transformando tudo em um bloco sólido. Meus sentimentos foram contraditórios: por um lado fazia sentido... eu entendia que tinha que ser daquele jeito, que era até bom que acabasse tudo, mas, por outro, não queria abandonar minha vida e tudo o que ela incluía... parecia um desperdício. A cena que via, misturando uma beleza peculiar com claustrofobia e solidao, reforçava essa contraditoriedade. Quando grande parte do que rodeava aquele lugar já havia se imcorporado a massa sólida, o predio em que estávamos finalmente começou a desbar. Descemos correndo, e consegui livrar minha prima de ser esmagada por uma parede que caía. Acordei enquanto tentávamos, inutilmente, manter-nos vivos.
Enchente e família

Ao saber da grande enchente que se aproximava corri com centenas de outras pessoas para um galpão enorme que ficava no subsolo. Sabiamos que não deixaríamos de morrer, mas não custava nada tentar. Fecharam a grande porta de madeira e, por um minuto, o lugar úmido e escuro ficou em silêncio. Depois cada um foi a procura de seus conhecidos, para trocarem as últimas palavras. Encontrei apenas meus avós paternos e meus pais, e torci para que meu irmão tivesse encontrado um lugar mais seguro. Quando fui falar com meus avós eles tinham descoberto que eu tinha uma namorada e disseram que eu não fazia mais parte da família. Fiquei inconfomada com isso. Se íamos todos morrer porque diabos implicar com isso?! Bom, minha única preocupação depois disso, agora em cadeira de rodas, foi encontrar minha namorada. A água começou a entrar e, depois de um tempo, a encontrei. Fomos para onde estavam meus pais, que a receberam bem. Fiquei tranquila... a água rompeu a porta e eu acordei.
