Havia uma princesa, ou rainha ou imperatriz de rosto e roupas asiáticas, chinesas eu chutaria, que resolveu passear disfarçada de uma pessoa comum. Claro que não estava só, tinha a companhia de dois de seus servos, um homem e uma mulher, que para esta ocasião a chamavam de algo como Twig. Sua roupa era vermelha e dourada, o cabelo negro puxado pra trás em um penteado não muito elaborado e parecia tão entusiasmada em conhecer as coisas, a realidade, que seus acompanhantes ficavam em pânico, afinal ela parecia não ter muita noção de perigo. Lembro de tê-la visto andando apressada por um lugar onde passava um trem, e era cheio de oficinas, fumaça e sujeira. Algumas vezes fui sua acompanhante, embora no geral visse tudo de fora, e fui repreendida por falar seu verdadeiro nome ou me preocupar demais.
Ela chegou a lugar fechado, um prédio que talvez fosse um teatro, mas não importa. Agora eu, como eu mesma, estava lá e participava dos acontecimentos estranhos que seguiram a chegada de twig. Não lembro o que aconteceu para que se chegasse nessa cena, mas havia uma corda pendurada lá no alto (o prédio tinha muitos andares, uma cor amarelada e era meio tortuoso, meio como os prédios de Gaudí) e ela tentava subir, com minha ajuda. Uma pequena multidão de juntou no térreo e eu tentava convencê-la de algo.. talvez de descer dali. Nesse trecho sei que fui ela por alguns momentos, embora no geral fosse eu mesma. Quando estávamos na altura da corda correspondente ao quarto ou quinto andar apareceu uma figura que não era muito amigável. Lembro que senti um pouco de medo daquele ser cujo rosto não ficava aparente e que, se me lembro bem, carregava um espelho em suas mãos. Essa figura queria algo com a imperatriz, e ficou insistindo para que ela olhasse para o espelho, até que a imperatriz pulou a mureta, juntando-se ao ser desconhecido. Fiz o mesmo e corri atrás dela, que sumia da minha vista com aquela figura estranha. Achei que corria perigo. Acordo ainda procurando-a.
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