sábado, 2 de agosto de 2008

2 de agosto de 2008

sonhei com várias coisas, mas me lembro apenas de fragmentos... as conexões ficaram de fora, talvez por eu não ter ficado tempo suficiente procurando encontrá-las. Bom, de qualquer forma vou escrevê-los na ordem que acredito terem acontecido.

I
eu estava viajando de carro com algumas pessoas e por algum motivo chamei uma amiga minha que está viciada em pó... disse que talvez ela pudesse dirigir o carro, que tinha, por sinal, uma mãe carregando seu bebê sentada no banco de trás. Ela dirigiu e, vou dize, todos ficamos super apreensivos com ela nos conduzindo pela estrada. foi aí que percebi o erro que tinha cometido!
Convencemos ela a parar o carro no próximo posto, onde ficamos um tempo. Conversei com ela, disse que não devia dirigir, que não estava bem para isso e mais algumas coisas, na esperança de ajudá-la de alguma forma. Ela se sentiu um pouco ofendida e sumiu com um dinheiro que eu não me lembro bem da onde tinha surgido. Continuei preocupada com ela, ela continuou na mesma e os outros continuaram seguindo comigo na estrada... havia música... acho que era um blues. haviam montanhas por perto e já estavamos naquele momento lusco-fusco.
chegando numa cidadezinha vimos os postes ascenderem... meu amigo diz que essa hora é mágica..

II
é dia e estou novamente no carro, chegando numa cidadezinha do Alasca e meu pai é o condutor. De um lado da pista só há neve, do outro a cidade. A pista, de repente, torna-se um caminho sobre madeirites e eu estou de bicicleta com uma amiga do meu curso e outras pessoas desconhecidas. Os carros aparecem de vez em quando e temos que tomar cuidado. Em um determinado momento, eu estou na garupa e há uma rampa tão íngrime que sua parte final chega a fazer um ângulo reto com a pista. A bicicleta agora era uma moto e seguíamos em direção à rampa... não acreditei que ela fosse em frente, mas para minha surpresa e terror ela foi! nossa, que sensão foi aquela? é como se estivesse numa montanha russa onde nada me segurasse ao carrinho e a probabilidade de sair intacta fosse mínima! a rampa acabou e continuamos no ar por um tempo, sendo que eu tive de me segurar firme na moto para não cair. A moto fez um movimento estranho e, surpreendentemente, caímos perfeitamente na pista! não vou descrever como fiquei depois disso.. imagine-se passando por isso e como você se sentiria. Foi real assim.

III
Eu estou com a mesma amiga, de volta com as bicicletas, em parque bem longe do Alasca, pelo que dava pra var da vegetação, onde várias pessoas pedalavam na mesma direção, que por sinal é a oposta do caminho que fazíamos no Alasca. Descubro com os passantes que estamos fazendo parte de uma espécie de maratona de bicicletas em prol de não-se-o-que. continuo pedalando e minha amiga some, sendo que eu fico carregando sua bicicleta desmontável e em parte andando , em parte pedalando.


IV
Entro num quarto idêntico ao de uma amiga de infância minha, com tudo rosa (eu nunca fui muito fã dessa cor) e sinto uma estranheza enorme por voltar ao que eu sabia ser o meu quarto. Fazia muito tempo que eu não esntrava lá e não me senti nenhum pouco confortável ali..

V
Eu estava em um quarto nas dependências da faculdade, conversando com uma mulher que eu nunca vi na vida, quando escutamos um barulho estranho... ao olhar pela janela vejo um corpo todo enrolado por uma corda branca, parecendo um casulo, pendurado do lado de fora do prédio, batendo na janela como o pêndulo. Pergunto se ele estava vivo duas vezes e escuto sons abafados de quem tem a boca amordaçada. Nessa altura, outros habitantes do prédio já tinham percebido o corpo e nos juntamos para tirá-lo dali. Quase caí da janela nessa processo. O cara que estava preso era negro e um amigo dele, também negro, apareceu lá para acudí-lo. Vi os dois indo embora e, ainda meio em choque com o que tinha acontecido, pensei: "como alguém pode fazer algo assim?" e "ainda bem que eu sou morena", além de outras coisas relacionadas a universidade e ao grupo neonazista que havia lá...
no meio dessa história surgiu meu primo e um cara meio estranho que conversava com ele num tom suspeito sobre cocaína. Meu primo dizia, com cara de que mentia, que tinha parado de vender...

Um comentário:

Nina disse...

I-O Carro, é significado da condução da própria vida. A menina que é viciada como condutora: ela é impulsiva, ela não tem razão de ser, exatamente como não temos às vezes e procuramos essa razão para nos fixarmos no chão, na vida cotidiana. Mas mesmo assim essa menina é querida, é amada, por que ela parte de nós. A mãe carregando o bebê: a mãe. É engraçado como as coisas se relacionam. Você coloca uma mulher impulsiva e sem “razão” de ser para conduzir esse caminho mesmo tendo algo muito precioso para ser cuidado. De alguma forma, você aposta nessa intuitiva, nessa impulsiva, na sua própria não-razão de ser. Mas essa impulsiva é colocada em evidência pelo olhar externo, lembrando que é preciso olhar pra fora para conduzir a vida num caminho por onde outros também vão passar. ( “todos ficamos super apreensivos com ela nos conduzindo pela estrada. foi aí que percebi o erro que tinha cometido!”) É preciso olhar pra fora? Você deve se perguntar isso algumas boas vezes não é?
II- Bem, aqui você deixa claro que escolhe pelos outros: o pai, como condutor. O pai, não apenas representa o seu pai, mas a figura do Imperador de Marselha. Enquanto a Imperatriz governa com a intuição do número 3 e se mantém grávida sobre o mundo, sempre gerando e governando conforme as leis da natureza, o Imperador é a razão. É aquele que governa pela lógica básica do número 4, aquele que organiza as coisas de forma firme e tranqüila. Há nele a tranqüilidade e a lógica que se opõe à intuição e à paixão da Imperatriz. “De um lado da pista só há neve, do outro a cidade. A pista, de repente, torna-se um caminho sobre madeirites e eu estou de bicicleta com uma amiga do meu curso e outras pessoas desconhecidas. Os carros aparecem de vez em quando e temos que tomar cuidado.” Aqui, é como se você finalmente percebesse que não é possível ser conduzida pela intuição da Imperatriz(continuo pedalando e minha amiga some, sendo que eu fico carregando sua bicicleta desmontável e em parte andando , em parte pedalando), mas que também não há possibilidades de se restringir à lógica do Imperador, representado pelo seu pai(sinto uma estranheza enorme por voltar ao que eu sabia ser o meu quarto. Fazia muito tempo que eu não esntrava lá e não me senti nenhum pouco confortável ali. Obs: é a sua casa, sua suposta segurança, mas você percebe que não é sua de fato). É nesse exato momento, que, olhando a infinitude e a singularidade da neve em contraponto com a confusão e multiplicidade da cidade, que você se desfaz dos caminhos que representam extremos na sua vida e passa a andar em seu próprio caminho, sem ninguém com autoridade (nem intimidade) o suficiente para lhe dizer se aquilo está certo ou não, se deve ou não deve ser feito. E por mais que você sinta medo passando por rampas e ladeiras, enfim... A partir do momento em que você não mais se abandona, não mais abdica de si, tudo pode ser vivido e todas as dificuldades, por mais arrepio que dêem, podem ser ultrapassadas.
III- Esse sonho parece um ciclo, na verdade. O casulo é o símbolo da transformação, o fato de serem negros lembra como você queria ser negra na infância, mas isso não é admitido, socialmente não é algo bom, a razão não te permite admirar de fato o que você admira. Com a cocaína, você volta à sua amiga, relembra como ela é parte de você, da qual você talvez não possa nunca se livrar. Mas, de fato, você, na parte II e na parte em que carrega a bicicleta dela, toma uma posição que deixa claro que é possível caminhar com ela sem se perder do seu caminho.

* Bem, hoje eu acho que vi muitos signos. Talvez eles não existam...Bem, talvez eu não exista, hehehe.. Beijocas!