domingo, 13 de janeiro de 2008

um cochilo...

conversava com meu irmão... não era uma conversa tranquila: falávamos sobre a vida num tom de morte. Ele me dizia que não fazia sentido, que os amigos só atrapalham tudo e que o melhor a fazer é deixar a morte tomar conta.. ou a vida sair, depende do ponto de vista. Os meus argumentos para defender o contrário se baseavam no fato de que somos muito frágeis em alguns sentidos, e que, apesar das várias expêriencias de quase-morte que cada um já viveu, continuávamos vivos... quase como se fosse algo pronto, como se nós tivéssemos nossa data certa para morrer. Eu continuava, então, dizendo que se esse tempo nos é oferecido tanto o que fazemos nele quanto o momento de nossa morte devem fazer algum sentido. Mas acho que eu não conseguia trasmitir direito o que queria. Lembro que tentava conevncê-lo tão desesperadamente que me atrapalhava. O ponto de vista dele não mudou. Ele foi pegando alguns potinhos que continham algum líquido dentro e juntando-os formando uma seringa. Ele falou que começava a "hora da saudade", ou algo assim, e pude ler essas palavras no primeiro segmento da seringa... ele picou o braço...
Acordei com minha mãe batendo na porta do quarto. Vinha me chamar para irmos ao clube e sentou na minha cama, como fazia para me acordar antigamente, dizendo que havia sonhado comigo pequenina. Disse que eu pegava em seu rosto e falava "eu tô com muita saudade, mamãe".

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